As Muralhas dos Sertões: os povos indígenas no Rio Branco e a colonização
Keywords:
Guiana, Brasil - Fronteiras, Amazônia - História, Povos indígenas da América do Sul, Brasil - História - Período colonialSynopsis
O primeiro capítulo trata da colonização portuguesa do Estado do Maranhão e Grão-Pará – unidade administrativa que compreendia a Amazônia – focalizando seu caráter peculiar, marcado pela economia extrativista, apoiada no uso intensivo de mão-de-obra indígena. Ressaltada a importância da mão-de-obra indígena neste contexto, discuto a política indigenista portuguesa deste período, enquanto reflexo das tensões entre os agentes da colonização – religiosos, colonos e Estado – e seus respectivos projetos com relação ao controle e à administração do trabalho indígena. Maior ênfase foi dada à discussão da política indigenista do período pombalino, que se instaura a partir de 1750, trazendo reformas para a economia amazônica, afetas à questão da mão-de-obra indígena. A discussão da política indigenista pombalina é referenciada ao cenário de negociações para a demarcação das fronteiras luso-espanholas, que fortemente a influencia.
O segundo capítulo volve aos marcos temporais do primeiro, focalizando estritamente a ocupação do rio Branco. Discuto inicialmente seu peso na economia colonial, enquanto zona de suprimento de produtos de extração e indígenas escravizados. Destaca-se, porém, sua importância enquanto fronteira colonial, e por esta condição, o caráter eminentemente político-estratégico de sua ocupação. Esboça-se, neste contexto, a ameaça territorial representada pelo tráfico de indígenas escravizados, empreendido pelos holandeses.
No terceiro capítulo, detenho-me no tráfico Caribe-holandês. Em primeiro lugar, trato da praxis indigenista holandesa, tentando compreender o lugar que nela ocupava a escravização indígena e, em particular, como esta praxis orienta a forma de tráfico, incentivando a participação de intermediários indígenas. Evidenciada a forma do tráfico holandês, dedico-me ao papel que nela desempenharam os Caribes, à época reputados intermediários diretos dos holandeses, procurando o sentido desta intermediação e a que possíveis representações indígenas ela se prendia. Com estes resultados, esbocei hipóteses sobre as mudanças estruturais que a situação de contato, projetada no contexto do tráfico, teria provocado entre os povos indígenas que envolveu.
O quarto capítulo retoma o processo de ocupação portuguesa do Branco, a partir da década de setenta do século XVIII, época em que os portugueses empreenderam o aldeamento indígena na região. Para análise do processo de aldeamento, enfatizo sua simultaneidade e estreita correlação ao tráfico holandês, procurando perceber como se situavam os grupos indígenas que, sobretudo naquele momento, são atingidos por dois vetores contrários de colonização. De modo correlato, localizo o processo de aldeamento no contexto da política indigenista portuguesa, cujas premissas foram mapeadas ao capítulo I, buscando seus desdobramentos face à política indígena.
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