As Muralhas dos Sertões: os povos indígenas no Rio Branco e a colonização

Autores

Nádia Farage
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André Augusto da Fonseca
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Palavras-chave:

Guiana, Brasil - Fronteiras, Amazônia - História, Povos indígenas da América do Sul, Brasil - História - Período colonial

Sinopse

O primeiro capítulo trata da colonização portuguesa do Estado do Maranhão e Grão-Pará – unidade administrativa que compreendia a Amazônia – focalizando seu caráter peculiar, marcado pela economia extrativista, apoiada no uso intensivo de mão-de-obra indígena. Ressaltada a importância da mão-de-obra indígena neste contexto, discuto a política indigenista portuguesa deste período, enquanto reflexo das tensões entre os agentes da colonização – religiosos, colonos e Estado – e seus respectivos projetos com relação ao controle e à administração do trabalho indígena. Maior ênfase foi dada à discussão da política indigenista do período pombalino, que se instaura a partir de 1750, trazendo reformas para a economia amazônica, afetas à questão da mão-de-obra indígena. A discussão da política indigenista pombalina é referenciada ao cenário de negociações para a demarcação das fronteiras luso-espanholas, que fortemente a influencia.

O segundo capítulo volve aos marcos temporais do primeiro, focalizando estritamente a ocupação do rio Branco. Discuto inicialmente seu peso na economia colonial, enquanto zona de suprimento de produtos de extração e indígenas escravizados. Destaca-se, porém, sua importância enquanto fronteira colonial, e por esta condição, o caráter eminentemente político-estratégico de sua ocupação. Esboça-se, neste contexto, a ameaça territorial representada pelo tráfico de indígenas escravizados, empreendido pelos holandeses.

No terceiro capítulo, detenho-me no tráfico Caribe-holandês. Em primeiro lugar, trato da praxis indigenista holandesa, tentando compreender o lugar que nela ocupava a escravização indígena e, em particular, como esta praxis orienta a forma de tráfico, incentivando a participação de intermediários indígenas. Evidenciada a forma do tráfico holandês, dedico-me ao papel que nela desempenharam os Caribes, à época reputados intermediários diretos dos holandeses, procurando o sentido desta intermediação e a que possíveis representações indígenas ela se prendia. Com estes resultados, esbocei hipóteses sobre as mudanças estruturais que a situação de contato, projetada no contexto do tráfico, teria provocado entre os povos indígenas que envolveu.

O quarto capítulo retoma o processo de ocupação portuguesa do Branco, a partir da década de setenta do século XVIII, época em que os portugueses empreenderam o aldeamento indígena na região. Para análise do processo de aldeamento, enfatizo sua simultaneidade e estreita correlação ao tráfico holandês, procurando perceber como se situavam os grupos indígenas que, sobretudo naquele momento, são atingidos por dois vetores contrários de colonização. De modo correlato, localizo o processo de aldeamento no contexto da política indigenista portuguesa, cujas premissas foram mapeadas ao capítulo I, buscando seus desdobramentos face à política indígena.

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Biografia do Autor

Nádia Farage, Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)

Possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas (1980), mestrado em Antropologia Social pela Universidade Estadual de Campinas (1986) e doutorado em Letras (Est.Comp. de Liter. de Língua Portuguesa) pela Universidade de São Paulo (1997). Foi Research Student junto ao Departamento de Antropologia da London School of Economics (1991). Fellow (1996) e Visiting Professor (2011; 2013) junto ao Centre for Amerindian, Latin American and Caribbean Studies, Un.St.Andrews, Reino Unido. Foi docente do Departamento de Antropologia, Instituto de Filosofia Ciências Humanas, Universidade Estadual de Campinas (1985-2015). É professora colaboradora do Departamento de História e do Centro de Estudos em História Social da Cultura (CECULT), Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Estadual de Campinas. Atua junto ao Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social, IFCH-UNICAMP, e ao Programa de Pós-graduação em Diversidade Sociocultural, Museu Paraense Emílio Goeldi, na área de Antropologia Histórica, com ênfase em relações multiespecíficas e projetos biopolíticos dissidentes.

André Augusto da Fonseca, Universidade Estadual de Roraima

Possui graduação em História pela Universidade Federal Fluminense (1994), mestrado em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2006) e doutorado em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2016). Atualmente é professor do quadro efetivo da Universidade Estadual de Roraima. Tem experiência na área de História, com ênfase em História, atuando principalmente nos seguintes temas: Amazônia - período colonial, Ensino de História, Antigo Regime, América Portuguesa, ensino fundamental e formação docente.

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Publicado

25 junho 2026

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Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.

Detalhes sobre o formato disponível para publicação: PDF

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ISBN-13 (15)

978-65-89203-93-3

Detalhes sobre o formato disponível para publicação: Epub

Epub

ISBN-13 (15)

978-65-89203-93-3

Como Citar

FARAGE, Nádia; FONSECA, André Augusto da. As Muralhas dos Sertões: os povos indígenas no Rio Branco e a colonização. [s.l.] : UERR Edições,2026. DOI: 10.24979/uerr.edicoes.165. Disponível em: https://edicoes.uerr.edu.br/index.php/inicio/catalog/book/165. Acesso em: 26 jun. 2026.